Tecnologia e inclusão na trajetória da telessaúde
- Adenilson Barcelos de Miranda
- 15 de fev.
- 2 min de leitura

O capítulo de Giovanni Guido Cerri, publicado na obra organizada por Chao Lung Wen e Maíra Lie Chao, integra o livro Telemedicina e Telessaúde: 20 anos da fase heroica ao momento estruturante para Medicina e Saúde Conectada, lançado pela Associação Brasileira de Telemedicina e Telessaúde (ABTms). No texto, Cerri desenvolve uma reflexão sobre o papel da tecnologia como instrumento de inclusão social e territorial, analisando a consolidação da telessaúde no Brasil a partir da atuação de centros acadêmicos e hospitais universitários como polos estratégicos de inovação.
Da fase heroica ao momento estruturante
A análise situa-se na transição entre a fase inicial da telessaúde, marcada por iniciativas pioneiras e experimentais, e o período de consolidação institucional, caracterizado pela ampliação de políticas públicas e pela expansão do atendimento a regiões remotas. Nesse processo, as universidades assumem protagonismo não apenas como desenvolvedoras de soluções tecnológicas, mas como instituições capazes de articular pesquisa aplicada, formação profissional e suporte técnico, contribuindo para reduzir desigualdades históricas no acesso à saúde.
Experiências em territórios remotos
O texto apresenta experiências de teleconsultoria e telemonitoramento realizadas em áreas isoladas do país, demonstrando como plataformas digitais permitiram que especialistas apoiassem equipes locais, reduzindo deslocamentos e qualificando diagnósticos. Cerri destaca a importância da adaptação tecnológica às condições regionais, considerando limites de conectividade e especificidades socioculturais. A integração de equipes multidisciplinares evidencia que inovação e equidade são dimensões inseparáveis quando a tecnologia é orientada por compromisso social.
Desafios institucionais e dimensão política
O autor reconhece a existência de obstáculos, como resistências à digitalização e limitações estruturais, mas interpreta esses desafios como parte de um processo maior de transformação institucional. A telessaúde é compreendida como estratégia política de fortalecimento do Sistema Único de Saúde. A tríade universitária (ensino, pesquisa e extensão) estrutura essa dinâmica: o ensino capacita profissionais para o uso crítico das tecnologias, a pesquisa desenvolve soluções contextualizadas e a extensão amplia o acesso às inovações produzidas.
Categorias centrais da análise
Da leitura emergem categorias como inclusão social e territorial, tecnologias digitais orientadas à equidade em saúde, formação e capacitação profissional, interoperabilidade e integração de sistemas, pioneirismo institucional e replicabilidade de experiências, além do monitoramento e avaliação de impacto social. Esses elementos revelam que a inovação em saúde digital se constrói em rede e possui potencial de expansão para diferentes contextos regionais.
Telessaúde como embrião de políticas públicas
O texto sustenta que práticas locais frequentemente antecedem a formalização estatal, funcionando como embriões de políticas públicas. Núcleos acadêmicos e hospitais universitários operam como laboratórios institucionais onde experiências inclusivas são testadas e, posteriormente, incorporadas a estratégias nacionais. Assim, a telessaúde é apresentada não apenas como ferramenta técnica, mas como fenômeno de democratização do cuidado, reafirmando o papel estratégico das universidades na construção de um SUS mais moderno, acessível e comprometido com a justiça social.
CERRI, Giovanni Guido. Quando a tecnologia é usada para a inclusão. In: WEN, Chao Lung; CHAO, Maíra Lie (Orgs.). Telemedicina e Telessaúde: 20 anos da fase heroica ao momento estruturante para Medicina e Saúde Conectada – a linha do tempo da Associação Brasileira de Telemedicina e Telessaúde (ABTms). 1. ed. Santos, SP: Ed. dos Autores, 2023. p. 135-143. Disponível em: https://abtms.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Telemedicina-e-Telessau%CC%81de-20-anos-da-fase-heroica-ao-momento-estruturante-para-Medicina-e-Sau%CC%81de-Co.pdf.


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