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A Experiência do Núcleo de Telessaúde da UFMG

  • Foto do escritor: Adenilson Barcelos de Miranda
    Adenilson Barcelos de Miranda
  • 26 de mai.
  • 3 min de leitura


A consolidação da saúde digital no Brasil passa, inevitavelmente, pela atuação das universidades públicas. Entre as experiências mais relevantes nesse processo destaca-se o Núcleo de Telessaúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, cuja trajetória evidencia como ensino, pesquisa, assistência e inovação tecnológica podem se articular para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS).

Publicado em 2025, o estudo produzido por Alaneir de Fátima dos Santos e colaboradores apresenta uma análise da experiência institucional do Núcleo de Telessaúde da UFMG, demonstrando como a universidade se consolidou como espaço estratégico para a formulação, implementação e avaliação de políticas públicas de telessaúde no Brasil.

O texto reúne pesquisadores, docentes, gestores e profissionais diretamente envolvidos em ações de teleconsultoria, telediagnóstico e teleducação voltadas à Atenção Primária à Saúde.


Universidade e SUS na Construção da Saúde Digital

A trajetória do Núcleo de Telessaúde da UFMG acompanha a própria expansão das políticas nacionais de telessaúde, especialmente a partir do Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes. Desde os anos 2000, a incorporação de tecnologias digitais passou a integrar as estratégias de fortalecimento da Atenção Primária, buscando reduzir desigualdades regionais, ampliar o acesso a especialistas e qualificar o cuidado em saúde.

Nesse contexto, a experiência da UFMG demonstra como as universidades públicas assumiram papel central na estruturação da saúde digital brasileira. Mais do que ofertar serviços tecnológicos, os núcleos universitários passaram a atuar como ambientes de inovação capazes de integrar formação profissional, pesquisa aplicada e suporte assistencial ao SUS.

A partir da década de 2020, com o avanço do Programa SUS Digital, essas iniciativas ganharam novo impulso institucional. O texto evidencia que a telessaúde deixou de ser apenas uma estratégia complementar e passou a ocupar posição estruturante nas políticas públicas de saúde.


Serviços de Telessaúde e Educação Permanente

Entre os principais aspectos destacados está a consolidação de ações de teleconsultoria e telediagnóstico em escala estadual e nacional. O Núcleo de Telessaúde da UFMG desenvolveu mecanismos de integração entre profissionais da Atenção Primária e especialistas, permitindo suporte clínico qualificado para equipes distribuídas em diferentes territórios.

Além disso, a experiência enfatiza o papel da teleducação e da educação permanente em saúde. Cursos online, webinars, capacitações e atividades formativas passaram a constituir parte fundamental das estratégias de qualificação profissional, fortalecendo a integração entre universidade e serviços de saúde.

Essa dimensão educativa revela uma característica importante da telessaúde universitária: sua capacidade de combinar assistência e produção de conhecimento. Ao mesmo tempo em que apoia profissionais em suas práticas cotidianas, o núcleo também produz dados, indicadores e pesquisas voltadas ao aprimoramento das políticas públicas.


Inovação Tecnológica e Tensões Institucionais.

O texto também evidencia que a transformação digital do SUS envolve desafios complexos. Entre eles estão as dificuldades de infraestrutura tecnológica, conectividade limitada em regiões remotas e a necessidade de articulação constante entre universidades, secretarias de saúde e equipes da Atenção Primária. A adoção de modelos híbridos de cuidado, combinando atendimento presencial e remoto, aponta para novas possibilidades de organização dos fluxos assistenciais no SUS.

Outro aspecto relevante é o monitoramento contínuo de indicadores clínicos e de efetividade dos serviços. O acompanhamento sistemático das ações permite avaliar impactos, aprimorar protocolos e ampliar a eficiência das estratégias digitais implementadas.


O Papel da Universidade na Transformação Digital do SUS

A experiência do Núcleo de Telessaúde da UFMG reforça uma questão central para o futuro da saúde pública brasileira: a transformação digital do SUS depende diretamente da articulação entre universidades, políticas públicas e tecnologias digitais.

Ao integrar ensino, pesquisa, extensão e assistência, os núcleos de telessaúde demonstram que, mais do que ferramentas tecnológicas, constituem espaços de produção de conhecimento aplicado e de construção de soluções adaptadas às desigualdades regionais brasileiras.

A leitura do estudo evidencia que a telessaúde universitária não se limita à mediação tecnológica do cuidado. Ela representa uma nova forma de articulação entre universidade e sociedade, capaz de ampliar o acesso à saúde, fortalecer a Atenção Primária e consolidar a saúde digital como eixo estratégico do SUS contemporâneo.



SANTOS, Alaneir de Fátima dos et al. Núcleo de Telessaúde da Faculdade de Medicina da UFMG: experiências e perspectivas. In: SANTOS, Alaneir de Fátima dos et al. (Orgs.). Telessaúde no SUS: avanços e desafios para o século XXI. 1ª ed. Belo Horizonte: Faculdade de Medicina/UFMG, 2025. p. 81-100.

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