Metodologia de prospecção e construção de cenários
- Adenilson Barcelos de Miranda
- 18 de mar.
- 2 min de leitura

O terceiro eixo do relatório Visão de Futuro da Saúde Digital – 2022, elaborado pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa por meio do Comitê Técnico de Prospecção em Saúde Digital (CT-SD), dedica-se à explicitação dos caminhos metodológicos utilizados na construção das análises e projeções apresentadas.
Trata-se de um relato técnico-metodológico de caráter coletivo, que evidencia não apenas os resultados, mas os processos de produção do conhecimento no campo da saúde digital.
Contexto histórico e institucionalização do planejamento
A metodologia apresentada insere-se em um contexto mais amplo de fortalecimento das práticas de avaliação tecnológica e planejamento estratégico em saúde no Brasil, especialmente no período pós-pandemia. Esse momento é marcado pela necessidade de maior capacidade de antecipação por parte do Estado, diante de transformações tecnológicas aceleradas. Assim, o relatório dialoga com a consolidação de instrumentos que buscam articular evidências científicas e formulação de políticas públicas.
Estratégias metodológicas e produção de cenários
O texto descreve um conjunto de estratégias metodológicas baseadas na construção coletiva do conhecimento. Entre elas, destacam-se a realização de oficinas temáticas, consultas a especialistas, análise de tendências e a elaboração de cenários prospectivos. Esses procedimentos permitem não apenas mapear o estado atual da saúde digital, mas também projetar futuros possíveis, considerando diferentes variáveis tecnológicas, institucionais e sociais.
A construção de cenários, em particular, assume papel central, ao possibilitar a organização de incertezas e a identificação de caminhos estratégicos. Trata-se de uma metodologia que não busca prever o futuro de forma determinística, mas explorar possibilidades e orientar decisões no presente.
Eixos de análise: universidade, inovação e cooperação
Do ponto de vista analítico, a metodologia evidencia o papel das universidades e instituições de pesquisa como espaços privilegiados de experimentação. O próprio relatório pode ser compreendido como um laboratório de inovação metodológica, no qual diferentes abordagens são testadas e articuladas.
Além disso, destaca-se a intensa cooperação com o setor público, indicando uma relação dinâmica entre produção de conhecimento e gestão estatal. Essa interação reforça a ideia de que a inovação em saúde digital emerge de processos colaborativos, que envolvem múltiplos atores e instituições.
Categorias temáticas
A análise do texto permite identificar cinco categorias centrais que estruturam a metodologia adotada: metodologias participativas, planejamento estratégico, inovação colaborativa, articulação entre ciência e Estado e produção de evidências. Esses elementos indicam uma abordagem integrada, voltada à construção de conhecimento aplicado e orientado à ação.
Perspectiva historiográfica
Sob uma perspectiva historiográfica, a metodologia apresentada revela um deslocamento significativo nas formas de produção do saber técnico. Observa-se a passagem de modelos verticalizados, centrados em especialistas e decisões hierárquicas, para práticas mais distribuídas e colaborativas de construção do futuro. Esse movimento indica não apenas uma mudança metodológica, mas também uma transformação nas relações entre conhecimento, poder e governança no campo da saúde digital.
RNP-REDE NACIONAL DE ENSINO E PESQUISA. Relatório de Visão de Futuro da Saúde Digital – 2022: Comitê Técnico de Prospecção em Saúde Digital (CT-SD). Rio de Janeiro: RNP, 2023. Disponível em: https://abtms.org.br/wp-content/uploads/2024/07/Relatorio_Visao_de_Futuro_CT-SD-2022_240718_144025.pdf. Acesso em: 16/09/2025.

