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Pluralidades em diálogo: a mesa “Formas de ser e de viver” na programação de 15 de abril

  • Foto do escritor: Adenilson Barcelos de Miranda
    Adenilson Barcelos de Miranda
  • 15 de abr.
  • 3 min de leitura


A luta dos povos indígenas pelo direito à terra vai muito além da posse de um espaço geográfico; trata-se da garantia da sobrevivência de cosmovisões que sustentam a natureza e a vida. Para esses povos, a terra é um corpo vivo e o território é o palco onde se manifesta a ancestralidade, conectando o passado dos antepassados ao futuro das novas gerações.

Nesse contexto, os direitos territoriais constituem a base para a preservação ambiental, uma vez que, onde há presença indígena demarcada, a biodiversidade tende a ser protegida, sustentada por uma relação de reciprocidade com o meio ambiente, para a educação diferenciada, que articula línguas maternas, saberes tradicionais e conhecimentos técnicos, e para a manutenção da identidade e da cultura, diretamente vinculadas à possibilidade de viver nos territórios de origem.

É a partir dessa chave interpretativa que se torna possível compreender a relevância da mesa-redonda Pluralidades e convivências: formas de ser e de viver, realizada no dia 15 de abril de 2026, às 19h, no âmbito da 55ª Semana dos Povos Indígenas da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. A atividade, com duração prevista até as 22h, insere-se no eixo central do evento e propõe uma reflexão aprofundada sobre as múltiplas formas de existência indígena no Brasil contemporâneo.

Reunindo participantes de diferentes trajetórias institucionais e territoriais, a mesa conta com a presença de Antônio Hilário Aguilera Urquiza (UFMS), Sara Sánchez Sánchez (Instituto Terra, Direitos e Cidadania – Tocantins) e Selma Sekwahidi dos Santos de Brito Xerente, evidenciando o protagonismo indígena e o diálogo intercultural como fundamentos da produção de conhecimento. A mediação fica a cargo de Lorranne Gomes da Silva (UEG) e Wanderleia Silva Nogueira (Superintendência da Cultura de Quirinópolis), reforçando o caráter interinstitucional da iniciativa.

A proposta da mesa tensiona leituras homogêneas sobre os povos indígenas, destacando que não há uma única forma de ser indígena, mas uma multiplicidade de experiências, cosmologias e modos de organização social. Ao deslocar o olhar de perspectivas fixas ou folclorizantes, o debate enfatiza a dimensão histórica e dinâmica desses modos de vida, compreendidos como práticas em constante transformação.

Ao abordar as “formas de ser e de viver”, a atividade amplia o campo da discussão para além do plano cultural, incorporando questões centrais como território, direitos, políticas públicas e estratégias de resistência. Nesse sentido, a mesa não apenas dialoga com o tema do evento, mas o aprofunda, ao evidenciar que as formas de existência indígena estão intrinsecamente ligadas às lutas por reconhecimento e por condições materiais de continuidade.

Mais do que um espaço de exposição, a mesa-redonda se configura como um território de encontro entre saberes acadêmicos e saberes indígenas, contribuindo para a construção de perspectivas mais plurais e comprometidas com a diversidade. Em um cenário marcado por disputas territoriais e desafios socioambientais, refletir sobre as formas de viver dos povos indígenas é também pensar caminhos possíveis para outras formas de habitar o mundo.



Ao término da mesa, o encontro foi atravessado por uma dimensão sensível e profundamente simbólica, quando Elza Nãmnãd Xerente e, em seguida, Selma Sekwahidi dos Santos de Brito Xerente conduziram cantos tradicionais, após convite da professora Lorranne Gomes da Silva. O gesto de encerrar a atividade com cantos não apenas rompe com a lógica estritamente acadêmica, mas reafirma a centralidade das expressões cosmológicas e espirituais como formas legítimas de produção de conhecimento. Nesse momento, o espaço da mesa-redonda se transforma em território vivo de manifestação cultural, no qual corpo, voz e ancestralidade se entrelaçam, evidenciando que os saberes indígenas não se restringem à palavra discursiva, mas se realizam também na oralidade, na música e na presença coletiva.


Assista:

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