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Vozes do Território: agradecimento pelo reconhecimento no I Seminário Interprojetos de Cidadania Digital em Saúde

  • Foto do escritor: Adenilson Barcelos de Miranda
    Adenilson Barcelos de Miranda
  • 21 de jun.
  • 3 min de leitura

O I Seminário Interprojetos – Cidadania Digital em Saúde, realizado nos dias 17 e 18 de junho de 2026, no Rio de Janeiro, representou um importante espaço de reflexão sobre os desafios da inclusão digital, do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e da construção de políticas públicas voltadas para os diferentes territórios brasileiros.

Promovido pela Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde (SEIDIGI/MS), o seminário reuniu pesquisadores, gestores, estudantes, lideranças comunitárias e representantes de diversas instituições para discutir os caminhos da cidadania digital em saúde.

Embora eu não estivesse presente no evento, senti-me parte daquele encontro quando, durante sua fala de abertura, a secretária Ana Estela Haddad mencionou um artigo de minha autoria, ainda inédito, elaborado a partir de uma experiência de campo em território indígena. Ouvir essa pesquisa ecoar em um espaço tão qualificado de debate, na voz de uma das principais referências da Saúde Digital no Brasil, foi um momento de profunda emoção e gratidão.

Mais do que uma referência ao meu trabalho, aquele gesto simbolizou o reconhecimento de uma forma de produzir conhecimento construída a partir da escuta, da convivência com os territórios e da valorização das experiências concretas das comunidades. Mesmo à distância, tive a sensação de que os sujeitos que deram sentido à pesquisa também estavam representados naquele debate, ocupando, por meio de suas histórias e desafios, um espaço de construção coletiva sobre o futuro da Saúde Digital.

Em sua intervenção, Ana Estela Haddad destacou uma reflexão que dialoga profundamente com minha trajetória acadêmica: a saúde digital não pode ser reduzida à incorporação de tecnologias ou à modernização de processos. Ela deve constituir uma política de encontro, capaz de aproximar saberes, reconhecer diferentes formas de viver e cuidar, fortalecer a autonomia dos territórios e ampliar o acesso ao direito à saúde.

Essa compreensão encontra ressonância no artigo mencionado, desenvolvido a partir da análise da implantação das maletas de telessaúde destinadas aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). A pesquisa procurou compreender por que tecnologias concebidas para ampliar o acesso ao cuidado nem sempre alcançam sua finalidade quando não são acompanhadas de planejamento, formação das equipes, suporte técnico e participação efetiva dos territórios.

A experiência demonstrou que a simples disponibilização de equipamentos não garante a transformação das práticas de saúde. Ao contrário, evidenciou que a inovação depende da articulação entre infraestrutura, qualificação profissional, gestão e compromisso institucional. A retomada dessas ações pelo Ministério da Saúde, a partir de 2023, mostrou que somente uma política pública estruturada é capaz de transformar recursos tecnológicos em cuidado efetivo para as populações.

Por isso, recebo com imensa gratidão a referência feita pela secretária Ana Estela Haddad. Seu reconhecimento ultrapassa a dimensão pessoal: reafirma a importância das pesquisas comprometidas com os territórios e fortalece a convicção de que a produção científica deve permanecer conectada às experiências concretas das pessoas, especialmente daquelas que historicamente enfrentam maiores barreiras de acesso aos serviços de saúde.

Que esse momento sirva de inspiração para continuarmos construindo uma Saúde Digital que não tenha a tecnologia como finalidade, mas como instrumento de inclusão, equidade e cuidado. Uma saúde capaz de atravessar rios, florestas, aldeias, quilombos e periferias, aproximando pessoas, fortalecendo comunidades e reafirmando que a transformação digital do SUS só fará sentido se começar e terminar nas vidas que ela pretende cuidar.

À professora Ana Estela Haddad, meu sincero agradecimento pela sensibilidade, pelo reconhecimento e, sobretudo, pelo compromisso permanente com uma Saúde Digital pública, humana e socialmente comprometida.


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