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Considerações Finais de um Relatório para o Homem que dorme na Rede

  • Foto do escritor: Adenilson Barcelos de Miranda
    Adenilson Barcelos de Miranda
  • 15 de jun.
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 5 dias


A cidade de São Luís (MA) recebeu na quinta-feira (11/06/2026), a 21ª edição do Governo do Brasil na Rua, iniciativa coordenada pela Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR) que aproxima os serviços públicos federais da população, ampliando o acesso a direitos, cidadania e inclusão social.

Ao longo do dia, foram ofertados atendimentos e orientações em diversas áreas, reunindo órgãos e instituições parceiras em um único espaço. Entre os serviços disponíveis, a oferta de telediagnóstico (Telerretinografia), coordenado pelo Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal de Goiás (UFG) e pelo Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

A ação integra os esforços do Governo Federal para facilitar o acesso da população a políticas públicas e serviços essenciais, especialmente em territórios com maior demanda por atendimento presencial.


 


Ao final das atividades, no dia seguinte, fui convidado pelo professor Humberto Serra para acompanhar o pôr do sol. O dia de trabalho chegava ao fim, mas uma última lição ainda estava por vir. Com a chegada da noite, sentamos próximos à orla, onde encontramos Rodrigo Mendes da Silva (@rd.flautista), músico que percorre as ruas da cidade tocando suas flautas e que complementa sua renda realizando entregas por aplicativos em sua bicicleta. Ao longe, antes mesmo de nos aproximarmos, avistamos Rodrigo, que passou por nós e ao longe parou para tocar sua flauta. Não havia plateia reunida, não havia aplausos à espera. Ainda assim, sua música preenchia o espaço com a mesma intensidade de quem se apresenta diante de um grande público. Havia naquela cena algo raro: a expressão de alguém que encontra sentido no próprio ato de fazer.

Quando nos aproximamos, fomos recebidos por seu sorriso largo e sincero. Rodrigo transmitia uma alegria espontânea, dessas que não parecem resultado de circunstâncias favoráveis, mas de uma escolha cotidiana de estar presente no mundo. Sua presença era leve, sem pressa, como quem compreendeu que a beleza da vida reside justamente nos encontros inesperados e nos instantes aparentemente comuns.

   O professor Humberto não passou apressado. Não o observou à distância nem o reduziu à condição de personagem anônimo da paisagem urbana. Sentou-se ao seu lado. Ouviu suas histórias, interessou-se por sua trajetória, conversou sobre a vida, os desafios cotidianos, a música e os sonhos. Por alguns instantes, não havia títulos, cargos ou funções. Havia apenas pessoas compartilhando experiências humanas.

Aquela cena revelou, de forma simples e profunda, algo que talvez explique o êxito do Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal do Maranhão. A tecnologia, os sistemas, os equipamentos e os indicadores são importantes, mas não constituem, por si só, a essência do trabalho realizado.

O que move o Núcleo é a capacidade de reconhecer as pessoas por trás dos números, de compreender que cada município, cada profissional de saúde e cada usuário carrega histórias, desafios e esperanças singulares.

Essa humanidade, personificada na atitude do professor Humberto Serra, não é um atributo individual isolado. Ela se estende por toda a equipe, traduzindo-se na forma como os municípios são acolhidos, assessorados e acompanhados. Talvez seja justamente por isso que o Núcleo tenha se consolidado como referência: porque compreende que a inovação tecnológica somente alcança seu sentido mais pleno quando permanece conectada à escuta, ao cuidado e à dignidade humana.

Ao observar aquele diálogo entre o professor e o músico, tornou-se evidente que o mesmo princípio que orienta a conversa na beira da noite também orienta o trabalho institucional do Núcleo: a disposição de parar, ouvir e reconhecer o outro. É desse encontro entre tecnologia e humanidade que nasce a força transformadora da Telessaúde.

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