Do outro lado da distância: NTS-UFMA lança a SOFIA 2.0
2 de out.
4 min de leitura

Algumas notícias nos convidam a olhar para o futuro. Outras fazem com que voltemos os olhos para o passado. O lançamento da SOFIA 2.0 me levou a fazer as duas coisas. E uma pergunta me visitou: há quanto tempo tentamos fazer a informação vencer a distância?
Documentos sobre os povos indígenas do Maranhão registram suas “andanças” e os caminhos que interligavam aldeias e territórios. Na região que Curt Nimuendajú chamou de “País Timbira”, esses percursos eram também vias de comunicação e circulação, posteriormente apropriadas, em parte, como estradas. Antes que a informação viajasse por fios e telas, vencer distâncias significava abrir e percorrer caminhos.
No final do século XIX, quem caminhava pelas ruas de São Luís, no Maranhão, podia encontrar nas páginas de jornais impressos um pouco da vida que corria pela cidade. Em suas páginas, a cidade parecia escrever sobre si mesma enquanto experimentava as novidades de um tempo que também se transformava.
Os repositórios documentais do Maranhão guardam vestígios de outras formas de comunicação. Em cartas, requerimentos e relatórios médicos, encontram-se registros sobre o estado de saúde das pessoas encaminhados às autoridades. Comunicava-se uma enfermidade, justificava-se uma licença e solicitava-se autorização para buscar tratamento.



Naquele tempo, a distância também se media pela demora da informação. Uma carta partia sem que seu remetente soubesse exatamente quando chegaria. A resposta pertencia ao futuro. Entre uma pergunta e outra havia caminhos terrestres, rios, portos e o mar. E com aquelas palavras viajava a esperança de quem esperava por cuidado.
Antes que o corpo pudesse viajar em busca do cuidado, a informação sobre esse corpo precisava partir primeiro. O corpo seguia descrito, escrito na pele da folha de papel. O papel guardava o corpo no envelope. O papel viajava. O papel esperava. Hoje, a informação percorre outros caminhos.
Talvez exista nessa imagem distante um ponto de partida para pensarmos a Saúde Digital no Maranhão. A carta do século XIX não é uma forma primitiva de telessaúde, seria anacrônico dizer isso. O que atravessa esses tempos é outra coisa, é a necessidade humana de fazer uma informação sobre a saúde vencer a distância.
SOFIA 2.0 - outros caminhos para a informação

Em 1º de outubro de 2026, o Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal do Maranhão (NTS-UFMA) apresentou o Sistema Online de Fortalecimento Interativo para a Atenção Primária (SOFIA 2.0). Criada originalmente em 2018 para apoiar os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), a plataforma chega à sua nova versão com a sua interface modernizada, novos fluxos de navegação e alinhamento ao Design System do Governo Federal, além de aprimoramentos em acessibilidade, estabilidade e segurança.
Essa conquista reafirma o papel da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) como instituição de ensino, pesquisa e extensão e como protagonista na criação de soluções tecnológicas de impacto social. A inovação não surge no vazio de uma folha em branco. Ela é fruto do comprometimento e do trabalho da equipe do Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal do Maranhão (NTS-UFMA), coordenado pelo professor e médico Humberto Oliveira Serra.
A SOFIA pertence a outro tempo, o tempo da Saúde Digital. E isso modifica profundamente o significado da circulação da informação. Em saúde, a informação não viaja apenas para comunicar. Ela viaja para orientar uma decisão clínica, apoiar um profissional no interior, aproximar conhecimentos e garantir que o cuidado aconteça onde as pessoas vivem.
Às vezes, por trás de um dado existe uma urgência. Por trás de uma pergunta existe alguém esperando. Por trás de uma tela existe uma vida. Durante muito tempo, a distância entre quem precisa de cuidado e o conhecimento especializado se traduziu como barreira geográfica. A Saúde Digital introduz outra possibilidade. Fazer viajar a informação para que o conhecimento chegue antes e, em alguns casos, evite deslocamentos desnecessários do paciente. Neste ponto, a velocidade deixa de ser apenas uma qualidade técnica para se tornar valor humano no cuidado.
Talvez seja essa uma das promessas mais humanas da Saúde Digital, encurtar distâncias sem exigir que todos os caminhos sejam percorridos pelo paciente. A informação atravessa cidades, rios e estradas. E, do outro lado da tela, encontra alguém que espera por cuidado.
Hoje, no Maranhão, outras mãos escrevem uma nova página dessa história. Com a SOFIA 2.0, o NTS-UFMA faz a informação percorrer outros caminhos, diante de uma necessidade que permanece profundamente humana: fazer o conhecimento chegar a quem precisa dele.
Se o papel um dia atravessou distâncias levando palavras, hoje as redes permitem que o conhecimento percorra outros caminhos. É nesse percurso que a SOFIA 2.0 nasce nas mãos do NTS-UFMA e encontra seu sentido, fazendo da distância um espaço de conexão e da informação uma possibilidade de cuidado.
Saiba mais!
NTS-UFMA apresenta a SOFIA 2.0 com nova experiência para os usuários.
Disponível em: https://telessaude.ufma.br/2026/10/01/nts-ufma-apresenta-a-sofia-2-0-com-nova-experiencia-para-os-usuarios/



Comentários