Memória, esquecimento e fala indígena em debate no VI Fórum dos Programas de Pós-Graduação em História do Centro-Oeste

Nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, pesquisadores de diferentes instituições participaram do VI Fórum dos Programas de Pós-Graduação em História do Centro-Oeste, encontro dedicado ao intercâmbio acadêmico e ao debate de pesquisas desenvolvidas nos cursos de mestrado e doutorado em História.
O Fórum dá continuidade a uma trajetória iniciada com os seminários conjuntos dos Programas de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), realizados desde 2008. A ampliação da participação de instituições da região levou, em 2016, à realização do primeiro Fórum dos Programas de Pós-Graduação em História do Centro-Oeste.
A edição de 2026 reuniu pesquisadores vinculados à UFG, PUC Goiás, Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade Estadual de Goiás (UEG), Universidade Federal de Catalão (UFCAT), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), além de outros programas participantes.
Narrativas, memória e fala indígena
Participei da Mesa 29 - Narrativas e Memórias, coordenada pela Dra. Janaína Josias de Castro e pelo Dr. Wesley Ribeiro Alves. Nesse espaço, me propus apresentar o trabalho Memória, esquecimento e subalternidade: a Comissão Nacional da Verdade e a emergência da fala indígena, como um exercício no âmbito do meu doutorado em História pela PUC Goiás.
Minha apresentação partiu de uma questão que considero fundamental para o trabalho do historiador: lembrar, esquecer e produzir memória não são a mesma coisa. Lembrar remete ao ato de trazer algo do passado ao presente; esquecer não significa apenas apagar ou perder uma lembrança, pois também envolve silêncios, ausências e aquilo que, por diferentes razões, deixou de ser narrado ou reconhecido. A memória, por sua vez, não corresponde à simples soma das lembranças. Ela é construída social e historicamente, atravessada por disputas sobre o que será preservado, narrado e transmitido.
Foi a partir dessa relação que procurei pensar a Comissão Nacional da Verdade (CNV) e a fala indígena. Meu interesse não esteve apenas em identificar a presença de testemunhos indígenas nos registros da Comissão, mas em perguntar pelas condições históricas que tornaram possível, ou dificultaram, que essas falas fossem ouvidas, registradas e reconhecidas no espaço público e na escrita da História.
Essa questão conduz também aos arquivos e aos silêncios que os acompanham. O fato de uma experiência não estar registrada em determinado conjunto documental não significa que ela não tenha existido. Da mesma forma, estar registrada não garante que uma voz tenha sido efetivamente reconhecida. Entre o acontecimento, a lembrança, o testemunho, o documento e a narrativa histórica existem escolhas, mediações e relações de poder.
Trabalhar com memória exige olhar tanto para aquilo que foi lembrado e preservado quanto para os esquecimentos, os silêncios e as condições históricas que definem quais experiências conseguem encontrar lugar na narrativa.
Nesse sentido, pensar historicamente a memória não é apenas perguntar “o que lembramos?”, mas também “como lembramos?”, “o que esquecemos?” e “quem encontrou condições para fazer de sua lembrança uma memória reconhecida?”.
Um espaço de diálogo entre pesquisas
O VI Fórum constituiu também um espaço mais amplo de formação acadêmica. As sessões de comunicação foram estruturadas para possibilitar a apresentação e o debate de pesquisas desenvolvidas por mestrandos e doutorandos, acompanhadas por professores e pesquisadores convidados.
A diversidade das mesas permitiu aproximar objetos, fontes, perspectivas teóricas e experiências de pesquisa distintas. Mais do que apresentar resultados concluídos, encontros dessa natureza colocam pesquisas em circulação, possibilitam confrontar interpretações e abrem espaço para questões que podem repercutir no próprio desenvolvimento das dissertações e teses.
O Fórum e a circulação da pesquisa histórica
Ao reunir pesquisadores vinculados a diferentes programas de pós-graduação, o VI Fórum dos Programas de Pós-Graduação em História do Centro-Oeste contribui para ampliar a circulação das pesquisas e fortalecer o diálogo acadêmico entre instituições da região.
Esses encontros permitem que investigações desenvolvidas no cotidiano dos programas ultrapassem seus espaços institucionais de origem. Teses e dissertações em construção encontram outros leitores, outras perguntas e diferentes perspectivas de análise.
O Fórum evidencia, assim, que a produção do conhecimento histórico não ocorre de maneira isolada. Ela se constrói também no debate, na crítica, na leitura compartilhada das fontes e no encontro entre pesquisadores que interrogam o passado a partir de problemas distintos.
Mais do que reunir trabalhos em uma programação acadêmica, o evento cria um espaço de interlocução sobre os caminhos da pesquisa histórica e sobre as diferentes formas pelas quais sociedades constroem, preservam, disputam e também silenciam suas experiências do passado.
Saiba mais
A programação completa do VI Fórum dos Programas de Pós-Graduação em História do Centro-Oeste está disponível na página oficial do evento.
Abertura do VI Fórum disponibilizado no YouTube.



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