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Telepediatria no Rio Grande do Norte: uma experiência de telessaúde voltada à saúde infantil

Foto do escritor: Adenilson Barcelos de Miranda
Adenilson Barcelos de Miranda
16 de jul.
3 min de leitura

A telessaúde não se desenvolveu apenas por meio de iniciativas de caráter geral. Ao longo de sua trajetória, também foram constituídas experiências direcionadas a áreas específicas do cuidado.

É nesse contexto que Morais e Arrais (2018) apresentam a trajetória da telepediatria no Rio Grande do Norte, discutindo sua utilização no âmbito da Atenção Primária à Saúde e suas perspectivas.

O capítulo “Telepediatria no Rio Grande do Norte: evolução e perspectivas”, publicado no livro A telessaúde no Brasil e a inovação tecnológica na atenção primária, permite observar uma experiência estadual de utilização das tecnologias de informação e comunicação voltada especificamente à saúde infantil.

Uma experiência construída no Rio Grande do Norte

Morais e Arrais (2018) recuperam o desenvolvimento da telepediatria no estado e sua aproximação com a Atenção Primária. A experiência é apresentada no contexto das ações de telessaúde e do Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes, mostrando como recursos tecnológicos passaram a ser empregados no apoio ao cuidado pediátrico.

O texto descreve a utilização de ferramentas como teleconsultoria e telediagnóstico, assim como experiências desenvolvidas em municípios do Rio Grande do Norte. Nesse percurso, a tecnologia aparece relacionada tanto ao atendimento das necessidades de saúde infantil quanto ao suporte oferecido aos profissionais que atuam nos serviços locais.


Telessaúde e formação profissional

Outro aspecto abordado por Morais e Arrais (2018) é a formação dos profissionais de saúde. As atividades de tele-educação e capacitação aparecem associadas à utilização da telessaúde, aproximando a prestação do cuidado das ações de educação permanente.

Essa dimensão é particularmente importante porque mostra que a telepediatria apresentada pelos autores não se restringe ao contato entre profissionais para discussão de situações clínicas. A experiência envolve também atividades destinadas à qualificação das equipes que trabalham com a população infantil.


O acesso à atenção especializada

A experiência relatada também se relaciona às dificuldades de acesso a profissionais especializados. Morais e Arrais (2018) apresentam a telepediatria como possibilidade de aproximação entre a Atenção Primária e o conhecimento especializado em pediatria, particularmente em municípios nos quais esse acesso encontra limitações.

Nesse sentido, teleconsultorias e outras modalidades de telessaúde possibilitam oferecer suporte às equipes sem substituir necessariamente os serviços presenciais. O capítulo permite observar, portanto, uma tentativa de utilizar a mediação tecnológica para apoiar o cuidado desenvolvido nos próprios serviços de saúde.


Limites e perspectivas

A implantação da telepediatria também envolve desafios. O texto chama atenção para questões relacionadas à integração das atividades de telessaúde aos serviços existentes e à participação das equipes locais. A incorporação das tecnologias depende, assim, não apenas da existência dos recursos tecnológicos, mas também de sua inserção nas práticas dos profissionais e na organização dos serviços.

Ao tratar das perspectivas da telepediatria, Morais e Arrais (2018) apontam possibilidades de continuidade e ampliação das experiências desenvolvidas no Rio Grande do Norte. O capítulo registra, dessa maneira, um momento da trajetória da telessaúde no estado no qual uma área específica, a pediatria, passa a integrar experiências de atendimento, apoio profissional e formação mediadas por tecnologias.


Uma experiência na história da telessaúde

Para compreender historicamente a telessaúde no Brasil, o capítulo de Morais e Arrais (2018) é relevante justamente por apresentar uma experiência situada. Em vez de observar apenas o Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes em sua dimensão nacional, o texto permite acompanhar como determinadas possibilidades da telessaúde foram desenvolvidas em um estado e direcionadas a um campo específico do cuidado.

A telepediatria no Rio Grande do Norte mostra, nesse sentido, uma das formas assumidas pela telessaúde em sua aproximação com a Atenção Primária: apoio às equipes, acesso ao conhecimento especializado, utilização de teleconsultorias e telediagnóstico e desenvolvimento de ações de formação profissional.

A experiência também ajuda a perceber que a trajetória da telessaúde foi constituída por iniciativas específicas, desenvolvidas em diferentes contextos e posteriormente relacionadas a estruturas mais amplas do Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes.

Antes de tratar essas experiências como etapas de uma trajetória inevitável em direção à atual Saúde Digital, interessa compreender aquilo que representavam em seu próprio contexto e as respostas que procuravam oferecer às necessidades dos serviços de saúde.


Referência

MORAIS, Antonio Higor Freire de; ARRAIS, Ricardo Fernando. Telepediatria no Rio Grande do Norte: evolução e perspectivas. In: HEKIS, Hélio Roberto (org.). A telessaúde no Brasil e a inovação tecnológica na atenção primária. 2. ed. Natal: SEDIS-UFRN, 2018. p. 47-60. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/64128. Acesso em: 5 ago. 2025.

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